sexta-feira, 4 de maio de 2018

Os ensinamentos do IPO do Porto

 | Imagem retirada da Internet |
O IPO do Porto celebrou, no passado dia 17 de Abril, o seu quadragésimo quarto aniversário. Eu conheci os seus corredores há exactamente um mês! Foi o meu primeiro contacto com a realidade que se vive naquele hospital. Mas se, por um lado, as salas de espera são um murro no estômago, existe um outro lado sobre o qual não posso deixar de escrever. Naquela instituição, há muito mais do que tumores, cancros, tratamentos ou dores... 
Naquele local há, acima de tudo: amor! Há um respeito enorme pelos doentes e pelas suas famílias. Há uma vontade grandiosa de que cada caso seja um caso de sucesso. Mais do que os cirurgiões que são, inevitavelmente, treinados para serem frios, duros e, por vezes cruéis, há todos os outros que nos dirigem sorrisos, olhares, abraços e positivismo.

É verdade que fui confrontada com o facto dos médicos prepararem o doente e as suas famílias para o pior cenário. Não esquecerei a conversa da consulta e as lágrimas que me caíram pelo rosto quando as palavras tem que estar preparada para o pior que pode acontecer: que é não acordar foram preferidas. Aí, a insensibilidade demonstrada marcou-me! Mas, percebi, depois, que é assim que deve ser. Porque, o pior cenário precisa sempre de ser apresentado para que todos o tenhamos em mente. Assim, tudo o que vier de (mais) positivo do que aquilo é melhor! Porque, no final, o importante dali é que possamos todos ser felizes.

Mas, depois... quando saímos do gabinete são tantas as boas almas e os bons corações que encontramos. Desde a enfermeira que me abraçou e disse que tudo iria correr bem! Passando pelos auxiliares que nos guiam pelos corredores com um sorriso tranquilizante. E, não esquecendo os inúmeros voluntários da Liga Portuguesa contra o Cancro que dispensam horas dos seus dias para orientar, apoiar e ajudar os doentes. Os voluntários da recepção, os voluntários que servem o chá e as bolachas a todos que lá chegam de forma gratuita, os voluntários que nos olham com um olhar de conforto.
Se há ensinamento que trouxe comigo é o de que quem lá trabalha, trabalha por amor. Trabalha por respeito ao outro e por uma necessidade de aliviar - da maneira que lhe for possível - o terror que cada pessoa passa a partir do momento em que "ganha" o estatuto de doente do IPO. Há uma vontade de fazer algo mais e um desejo de passar boas energias. Há sempre um ombro pronto para amparar, quem quer que seja. E isso, é algo que esta experiência nunca me fará esquecer. Por muito duro e horrível que seja o motivo que leve qualquer pessoa ao IPO do Porto, foi aconchegante ver e sentir que há ali Seres Humanos que dão tudo de si pelos outros. Que, no meio de medicamentos, injecções, máquinas e dor, há muito amor! Obrigada IPO do Porto, obrigada por terem tão bem tratado da minha mãe e obrigada por existirem como existem!