domingo, 25 de março de 2018

(tu-mor)




| Imagem retirada da Internet |
Já se passou um mês. Era Domingo e por volta do meio-dia o telemóvel tocou. A chamada vinha de casa, mas nunca me passou pela cabeça que fosse uma má notícia. Até que ouvi a frase vais me deixar falar até ao fim sem dizer nada... e aí as mão começaram a tremer. Era, de facto, uma má notícia. Uma coisa daquelas que - apesar de sabermos que nos pode acontecer - esperamos sempre que não aconteça.
Tumor. Maligno. Não decorei mais nada. Não sei o nome médico dele, mas também não quero saber. Porque, algo assim não é digno de ter nome! Não foi algo que nasceu e que merece "ser baptizado". Merece apenas ser destruído! E é para chegar até essa destruição que o último mês tem servido. Para exames, análises e consultas... mas, por entre tudo isso, há corações que sentem, que choram e que anseiam por boas notícias.  
Eu estou a quilómetros de distância, enquanto o resto da família está a viver esta fase de uma maneira mais intensa e mais dura! Tenho consciência de que estar aqui dá-me, ao mesmo tempo, uma angústia de não estar lá, mas também uma visão mais segura de que tudo irá correr bem! Porque, depois do choque inicial em que me deparei com esta realidade, sem saber muito bem o que pensar, no que acreditar e com tantas questões na cabeça... o tempo tem-me ajudado a decifrar o pensamento. As energias são - na maior parte das vezes - positivas e acredito que tudo irá correr bem! Porque só assim pode ser! Porque peço, diariamente, que assim seja. Porque não aceito - sequer - qualquer outro final! Passo a passo, as batalhas serão vencidas e, por muito que o m-e-d-o seja uma constante, digo a mim própria que o espírito positivo, o amor, a família, a crença e a fé nos levarão a uma guerra que será ganha por nós!  
É um caso raríssimo e, por isso, acredito que esteja a ter - por parte dos médicos - uma análise e cuidado redobrados. Tenho plena confiança de que farão o possível e o impossível para que este se torne num caso de estudo de sucesso para que, a partir daqui, já este tu-mor deixe de ter o peso que tem! 
Foi há um mês que a minha vida mudou. Que o meu vocabulário adquiriu uma nova palavra. Que o medo se tornou em algo mais profundo e real. Que a esperança e a fé voltaram a fazer parte do meu dia-a-dia. Que a angústia passou a ser companheira diária mas que, acima de tudo, o amor e a confiança passaram a ser a arma de guerra! O amor pela minha mãe e a confiança de que ela vai (só) vencer mais esta guerra! Porque ela vai fazer todos os exames restantes, vai receber bons resultados, vai ser operada e eu vou estar lá quando ela acordar para lhe dizer que já está. Que correu tudo bem! Porque é só assim que pode ser ! 🙏