21 de novembro de 2017

EVS | Os dias em que a saudade bate (mais) à porta


Já se passaram mais de dois meses desde que comecei esta aventura de Serviço Voluntário Europeu. Mais de sessenta dias em que ver a família se resume a um ecrã de telemóvel ou computador e em que as conversas com as amigas se resumem a mensagens ou telefonemas. Os dias vão correndo à velocidade do vento e, na maior parte deles, as saudades surgem aquando de uma memória. Mas, depois, com o passar dos dias, começam a existir aqueles dias em que muitas mais  - e pequenas - coisas remetem o coração e a cabeça para a saudade.
Aquele perfume da mãe; aquele bebé que teima em começar a falar e para o qual dou por mim a olhar com um sorriso no rosto; o calor do quarto que me faz lembrar as "batalhas" com o pai à frente da lareira para ver quem consegue obter mais calor; a voz na rua que me faz pensar em alguém específico e que me leva a virar só para confirmar que não é mesmo quem eu queria que fosse; as amigas que passeiam na rua e fazem exactamente as mesmas figuras que eu também teimo em fazer com as minhas... Começam a existir dias em que simplesmente me apetecia chegar a casa, ter um abraço da pessoa mais importante do meu mundo, sentir o calor da lareira e sentar-me no sofá. Os dias passam e as saudades aumentam. Inevitável! Sabia e já me haviam avisado que esta aventura tens os seus altos e baixos. Tem os períodos temporais em que as saudades se acalmam e aqueles em que se intensificam. Faz parte ! Essa é a verdade... Mas, por muito que assim seja, há sentimentos que não controlamos. Há "faltas de" que se sentem sem que façamos por isso. E por aqui têm-se vivido dias assim... em que sinto falta dos meus e admito que, a partir de agora, cada semana que passa é sinónimo de menos uma semana que falta para que os possa voltar a ter todos nos meus braços. Não me arrependo de ter vindo. Em nenhum momento me arrependi, até agora. Mas, a saudade faz-me arrepender de os ter deixado... não fosse este um sentimento tão nosso, tão português !