11 de setembro de 2017

EVS | Uma semana de Poitiers

Estou viva! Talvez seja esta a melhor forma de começar o primeiro post desta experiência depois de ter passado mais de dez dias no silêncio. A verdade é que a primeira semana já passou... e a correr, basicamente! Foi há oito dias que pisei pela primeira vez o chão desta terra e sinto-o como se já se tivessem passado meses e meses. Mas, afinal, dizem-me que essas são as sensações que se têm quando nos sentimos verdadeiramente felizes e em casa. 
E é assim que me sinto! Passou uma semana e, segundo muitos, a mais difícil. Precisamos de nos adaptar a uma nova vida. Uma nova localidade, novas pessoas, novos trabalhos, novas realidades. A família fica para trás, os amigos sabem novidades pelas novas tecnologias e as saudades matam-se por entre imagens e palavras. 
O desconhecido normalmente assusta, o receio de ser ou não capaz atormenta e, por vezes, as lágrimas teimam em cair. Idealizei que passaria a minha primeira noite a chorar baba e ranho por me sentir só no Mundo, achei que nos primeiros dias a fome iria desaparecer por ter o estômago demasiado embrulhado, pensei que iria passar a maior parte do tempo enfiada no quarto a questionar-me se teria tomado a decisão certa... Mas, nada disto aconteceu! Deixei cair as lágrimas em dois momentos: aquando da derradeira despedida dos meus pais em que o autocarro iniciou a sua longa viagem e no instante em que me sentei no TGV e sabia que a partir dali era eu e o Mundo. Nada mais. 
Recebi o sorriso de boas-vindas da cara que me era conhecida à saída do TGV e tive o primeiro pressentimento de que ali poderia ser feliz. Embarquei pelas ruas da vila ainda no primeiro dia e fiz as primeiras compras sozinha. Dormi naquela cama como se sempre tivesse sido minha. Conheci caras novas e percebi que aqui se faz muito pela juventude. Tenho orgulho em pertencer a esta equipa e fazer parte deste trabalho desde o primeiro momento em que me sentei na minha cadeira, no meu espaço do escritório com uma chávena à minha espera. Percebi que o Mundo é pequeno quando, ao olhar para o lado, dei de caras com uma fotografia de uma freguesia da minha localidade. Sejamos sinceros, qual a probabilidade de tal acontecer? Destino ou coincidência? (...)
Encontrei e encontro, diariamente, pessoas fantásticas na residência onde vivo. O meu quarto é o meu espaço, que ninguém invade e a cozinha tornou-se o ponto de encontro dos "moradores" do nosso andar e, pelos vistos, não só. A alegria com que partilhamos o dia-a-dia de cada um de nós, enquanto uns cozinham e outros jantam, chama a atenção dos outros andares e, de vez em quando, lá vem um grupo de estudantes Erasmus apresentar-se. Nós, os voluntários, somos uma família. Entre a mistura do inglês, do italiano e do francês, as conversas surgem, as partilhas são diárias e os planos vão sendo delineados.
Trabalho bastante e, admito que, muito mais do que aquilo que esperava. Mas, trabalho feliz! Trabalho em coisas que me dão gozo. São trabalhos em que nem as horas vejo passar. Ora chego, ora já é hora de almoço e ora são horas de partir. No dia seguinte, um novo dia, mas nada igual. Há sempre coisas novas a fazer, há pessoas a conhecer, há projectos a desenvolver. E, mesmo que chegue cansada ao final do dia, trago comigo a certeza de que fiz algo por alguém. Algo que, por vezes, basta ser uma conversa, um sorriso, um abraço ou um testemunho. 
Tenho dia após dia, a certeza de que estou no local certo, no momento exacto. Era este o timming de toda esta aventura e era este o local onde seria feliz. Porque é isso que sou desde há uma semana: f e l i z ! Aprendo todos os dias algo sobre mim e sobre o mundo. Consigo decifrar aspectos da minha personalidade que julguei não existirem. Cresço e torno-me mais independente. Percebo que esta é a história que eu escrevo e sobre a qual quero aproveitar o máximo possível. Afinal, o presente é vivido agora, mas é óptimo quando, passado uns dias, te sentes como "peixe na água" e és capaz de dizer para ti própria que poderias ficar a viver aqui para sempre ♥
[E visto que esta ausência se deveu a problemas com Internet e a falta de tempo, muitas das partilhas diárias tem sido feitas pelo Instagram pessoal (@luciiebarreira) e pelo Instagram do blog (@teoriasdela), por isso, se quiserem conhecer os próximos episódios em primeira mão, é só seguir 😜😜 há, e já agora, não se esqueçam da #evsdalucie] Prometo voltar assim que puder!