17 de agosto de 2017

INTERCÂMBIO | "Let's go People" ♥

Terminei, no passado Domingo, uma semana de intercâmbio. Só hoje, Quinta-feira, consigo escrever sobre aquela que foi, certamente, uma das melhores experiências da minha vida. O cansaço, o sono, as saudades e a necessidade de regressar à rotina levaram-me a esperar até hoje para poder expressar, da melhor forma, tudo aquilo que foi esta aventura.  
No último post havia escrito que espero, sinceramente, chegar ao final e dizer que tudo valeu a pena, que tudo foi uma intensa aprendizagem e que, acima de tudo, estou feliz e ainda mais confiante com a minha decisão de partir. E hoje acho que nenhuma destas palavras é suficiente para o que sinto no final desta semana. Tudo me parece tão pouco para a felicidade que transporto dentro de mim.

Mas, comecemos, do início. Lembro-me bem do nervoso miudinho que levei comigo no primeiro dia. Do medo de me sentir uma autêntica "estranha" fora do meu contexto. Do receio de não ser capaz de comunicar e da simples vontade de pegar em tudo e regressar para o meu sofá. O real confronto com algo que me era totalmente desconhecido e tão assustador.
Conheci o meu #portugueseteam e depressa percebi que havia ali algo. Uma ligação fácil de construir e manter. Pessoas simples, simpáticas, genuínas e amigas. Uma vontade de entreajuda entre nós e uma necessidade de perceber se, cada um, estava bem. Por outro lado, o facto de levar as expectativas demasiado altas e a ideia de que "no primeiro dia iríamos ser todos super amigos" deixou-me, no final do dia, com a sensação de que aquilo estava a ser pouco do que havia imaginado. Para mim e para a Mary, companheira de primeira experiência, havia algo que estava a faltar...
Mas, depressa percebemos que toda aquela sensação desaparecia. Dia após dia, as conversas iam fluindo, os jantares eram passados a rir, a partilhar, a comentar. Os finais de dia eram de conversa. As noites eram de diversão e depressa tudo aquilo se tornou numa grande família. A determinada altura senti-me em casa. Aquela tinha passado a ser a minha zona de conforto! Dei por mim a deixar o receio de falar mal inglês de lado e a partilhar as minhas ideias, as minhas sugestões. Percebi que, por entre umas palavras mal ditas, uma palavras em francês, português ou até no nosso tão típico portunhol, a informação passava. As pessoas entendiam-me e eu era só mais uma entre eles. Tirando uma ou outra situação com uma ou outra pessoa específica, não senti que foi recriminada por falar mal inglês. Havia um esforço em ajudar, mas com o cuidado de não "deitar abaixo" e isso é daquelas coisas que levarei sempre comigo! Porque a entreajuda, a necessidade de cuidarmos uns dos outros e a vontade de criar ambientes em que todos se sentissem bem foram aspectos que vi aparecerem ao longo dos dias.



Levo muita coisa desta experiência. Levo muitas pessoas e levo ainda mais ensinamentos de mim própria. Se, até à uns dias atrás me questionava sobre se teria, ou não, a capacidade de realizar o meu EVS, agora sei que sou capaz. Percebi que basta querermos e lutarmos para que as oportunidades surjam e para que possamos ter a capacidade de trilhar o nosso caminho. Podia ter optado por ficar no meu canto, mas decidi não fazê-lo. Mal, ou bem, decidi dar o que tinha de mim. Dei o passo em frente e tentei. Não precisa de ser (per)feito, mas sim feito. Se os outros conseguem, porque não posso, pelo menos, tentar?
Aprendi a ouvir. A partilhar a minha opinião, sem desrespeitar a opinião contrária. Aprendi que a língua gestual é universal e pode, por vezes, ser a melhor forma de expressão. Percebi que sou capaz de viver e conviver com pessoas de outras nacionalidades, respeitando o tempo e o espaço de cada uma. Olhei para mim própria e consciencializei-me de que, afinal, sou capaz de fazer coisas que achava impossíveis. Superei-me e essa é uma das melhores certezas que trago do intercâmbio. 
Passei uma semana muito feliz! E, no final, de toda esta experiência, consigo dizer que fui e ainda sou imensamente feliz com tudo isto! Trouxe pessoas que se tornaram amigos. Algumas com as quais tenciono partilhar momentos, outras que espero reencontrar e umas quantas que ficarão marcadas no meu coração por terem feito parte desta experiência.

Há momentos que não esquecerei. Os finais de tarde em reflexão de grupo que acabavam por descambar para o mesmo lado; as conversas entre as #portuguesegirl que não tinham qualquer sentido, mas que eram tão boas; as noites de música em que dançamos e cantamos; as actividades que nos levavam à reflexão, à discussão, à partilha e ao conhecimento do grupo e de nós próprios; os almoços e os jantares temáticos; os (poucos momentos) a sós; as fotografias tiradas; as conversas às duas e três da manhã; as partilhas pessoais que surgiam nos (poucos) tempos livres (...) a tarefa que me mostrou, de facto, que sou capaz de fazer aquilo que achava impossível; a actividade que mais me desafiou e em que me superei a mim própria; o evento final em que me orgulhei imensamente de fazer parte de tudo aquilo e, até, o dia em que senti que tudo estava a desabar. Tudo me marcou e tudo faz parte daquela que foi, até hoje, uma das melhores experiências da minha vida. Hoje sei que sou capaz de abraçar de corpo e alma o projecto que se avizinha. Hoje ambiciono ainda mais que o mesmo chegue. Hoje estou mais forte e capaz de dizer que vou tentar e vou conseguir. Tudo se tornou mais claro e por isso é impossível não agradecer às pessoas que tornaram tudo isto possível.
Num primeiro momento, aos coordenadores que tiveram a capacidade de tornar isto real, que estiveram lá, dia após dia e que tudo fizeram para que todos nós estivéssemos bem. À Diana um obrigada especial por me ter metido nisto. Por me ter quase que "obrigado" a fazê-lo e assim ter-me feito dar o passo de que tanto precisava. Obrigada por aquela conversa e por aquele abraço, naquele dia. Por me teres dito que não estou, nem nunca estarei sozinha. Por saber que, na minha mala, vai um pouco de ti e da Associação que represento e da qual, cada vez mais, me orgulho em fazer parte.
Ao grupo, a cada um em especial. Porque, na verdade, cada um desempenhou o seu papel. Cada um será relembrado. Aos que mais me marcaram, espero, sinceramente, que o destino e estas experiências nos juntem novamente. Foi um prazer conhecer-vos!

Por fim, ao meu #portugueseteam que foi, com toda a certeza, o melhor que poderia ter tido! Obrigada por, em momento algum, me terem deixado desamparada e por nunca sentir que não fazia parte daquela equipa. Obrigada, do fundo do coração, por todas as conversas, as partilhas, as brincadeiras e pelas amizades que sei que nasceram. Se fui - e ainda sou - imensamente feliz a vocês o devo também! Espero por todos, mesmo todos vocês em Poitiers e nunca se esqueçam Let's go people!
É engraçado ver que escrevi tanto e tudo me continua a parecer tão pouco! Não há, efectivamente, palavras suficientes que possam descrever esta experiência. É, simplesmente, vivê-la. E, se tal como eu, sentem que não são capazes, posso dizer-vos que, muito certamente, estão enganados! Tentem e depois sim, digam de vossa justiça. O pior que vos pode acontecer? É perceberem que estavam totalmente enganados e, afinal, viveram uma das melhores experiências da vossa vida, tal como me aconteceu! Afinal, a única questão que me coloco agora é "Porque raio não fizeste isto mais cedo?" Não percam tempo a viver o que não é necessário. Vivam o que vos fará melhor pessoas e mais felizes! ♥