19 de abril de 2017

PESSOAL | Love


Escrevi e apaguei o título deste post inúmeras vezes. Nada me parecia certo. Nada me parecia adequado. O objectivo não era ser um texto maçudo, triste e saudosista. É mais como que um desabafo. Uma constatação! 
Cada vez mais me apercebo de que há sentimentos negativos que me atingem quando percebo que os que estão ao meu lado estão felizes, em casal. Não é uma inveja, uma frustração ou uma desilusão. Chamar-lhe-ia mais uma preocupação. Um medo irracional, ou não, de sentir que o tempo passa e eu estou aqui. Parada, à espera que o destino se encarregue de me fazer (re)encontrar o amor. 
Mas, poderei eu apenas culpá-lo? Não! Porque, se uma grande parte de mim quer acreditar que poderei, mais dia, menos dia, voltar a amar, existe a outra parte contrária que me atormenta e não deixa que eu me envolva. Justifico-me, por vezes, com o motivo de que quero ir sem ter no amor o motivo para voltar. Mas, será, de facto, essa a minha razão? Será que, caso o amor da minha vida, entrasse agora nela eu não deixaria tudo para trás? Infelizmente, sei bem que sim. E, por isso, tem sido essa a minha cápsula de salvação.  
Agora não, talvez amanhã, ou passada... Mas, por favor, que chegues! Porque, no meio das amigas que namoram, que casam, que tem filhos, que são felizes numa relação, eu não tenho nada que partilhar! Não há uma discussão, um fazer as pazes, um passeio de mão dada ou um abraço no momento exacto. Tenho, cada vez mais, medo de ficar assim. Sozinha. Porque, o tempo passa e é impossível não pensar nisso. Porque, os dias correm e as certezas de que voltarei a amar correm com eles. 
Sinto tanto a falta de amar e ser amada que, por vezes, dói demais. Tão demais, que me leva a questionar sobre as decisões do passado, sobre o tão aclamado ditado português de que mais vale só do que mal acompanhado... será assim?