21 de dezembro de 2016

LIVROS | A Rapariga de Auschwitz




2014 | Karen Bartlett e Eva Schloss | [Escala Pessoal: 8.5/10]

Sinopse (aqui)
É um relato de uma sobrevivente ao Holocausto e da sua luta para viver consigo mesma depois da guerra, uma homenagem a todas as vítimas que não viveram para poder contar a sua própria história e um esforço para assegurar que o legado de Anne Frank jamais seja esquecido. Eva foi feita prisioneira pelos nazis no dia do seu décimo quinto aniversário, tendo sido enviada para Auschwitz. A sua sobrevivência dependeu de inúmeros pequenos golpes de sorte, da sua determinação e do amor e da protecção da mãe, Fritzi, que foi deportada juntamente com ela. Quando o campo de concentração de Auschwitz foi libertado, Eva e Fritzi iniciaram a longa viagem de regresso a casa. Procuraram desesperadamente o pai e o irmão de Eva, dos quais tinham sido separadas. Meses mais tarde receberam a trágica notícia de que os dois haviam sido mortos. Antes da guerra, em Amesterdão, Eva tornara-se amiga de uma jovem chamada Anne Frank. Embora os seus destinos tivessem sido muito diferentes, a vida de Eva iria ficar para sempre estreitamente ligada à da amiga, depois de a sua mãe, Fritzi, casar com o pai de Anne, Otto Frank, em 1953. 
Opinião [*]
Se há momento da história do Mundo e da Humanidade que me fascina é aquilo que está ligado à II Guerra Mundial. Não é uma fascínio positivo, há que dizê-lo! Aquilo que me faz ter interesse e curiosidade por saber mais sobre essa época é por ser-me tão incompreensível e horroroso todos os crimes que foram cometidos. Por muito que se saiba que, de facto aconteceu, continua-me a ser inacreditável que o extermínio, por um mero capricho de um homem, tenha existido à pouco mais de 60 anos.

Por isso, quando se deu a oportunidade de ler este livro, não hesitei! Estava mesmo curiosa por ler esta história tão real, uma vez que é o testemunho de alguém que sobreviveu ao Holocausto.

Eva Schloss começa por descrever a vida feliz que tinha, em conjunto com a sua família, até ao dia em que celebra o seu décimo quinto aniversário e é presa pelos nazis, enviando-a para o Campo de Concentração de Auschwitz. A partir daí, tudo é horror! Há um relato de como era o ambiente, de como eram as pessoas, de como cada um lutava para sobreviver, dia após dia. É nos descrito o que ela fez para que pudesse sair dali viva, acabando por ser o pilar da própria mãe e lutando por ambas para que não tivessem o mesmo destino que tantas outras pessoas. O medo, a insegurança, a desconfiança, o receio, a dor... todos eles sentimentos diários com os quais uma jovem teve que aprender a lidar.

Depois, há o relato de duas mulheres - mãe e filha - que tentam regressar a uma vida normal após a libertação de Auschwitz, em busca do pai e do irmão de quem haviam sido separadas, até ao momento em que recebem a notícia de que ambos haviam sido mortos.

Como criar uma vida do início depois de tudo porque haviam passado? Depois de terem no corpo tatuados o número que as relembrava, diariamente, tudo porque tinham passado? Mas há uma vitória no final. Há a capacidade de vencer os medos e lutar pela felicidade. Há a capacidade de criar uma família e de demonstrar ao Mundo todos os horrores que as marcaram para sempre!

Este testemunho de vida está interligado ao Diário de Anne Frank pelo facto de Eva ter sido amiga desta antes do início da guerra e pelo facto de a mãe de Eva se ter casado com o pai de Anne Frank. Por isso, faz todo o sentido quando o New York Daily News descreve que «A Rapariga de Auschwitz começa onde O Diário de Anne Frank termina». É isso mesmo! É sabermos o que ocorreu depois de tudo aquilo que Anne Frank nos contou enquanto se encontrava escondida.

Digo-vos que este foi um dos livros que mais me marcou! Dei por mim a sorrir e dei por mim com os olhos repletos de lágrimas. Fui capaz de absorver toda a força, determinação e lição que este livro pode dar a cada leitor. É todo ele, só por si, uma lição de vida! Porque, por muitos horrores que qualquer Ser Humano possa viver, há sempre uma esperança de um amanhã melhor. Há sempre a luta por algo que dê sentido àquela vida. Eva conseguiu encontrar o seu e hoje é uma senhora repleta de amor, que descreveu, através deste livro, algo que, nunca nenhum de nós consegue sequer imaginar e algo que espero que o Mundo jamais volte a viver!
[* Este livro foi-me oferecido pela Marcador Editora, sendo que toda a minha opinião é sincera e honesta.]