3 de novembro de 2016

TRABALHO | Dez coisas que aprendi em dois anos de trabalho




Passei um ano como estagiária e no passado mês de Setembro completei o meu primeiro ano como funcionária. Ainda no outro dia sentia aquele nervoso miudinho por entrar no mercado de trabalho e hoje já conto com dois anos em cima e com muitas aprendizagens. Porque ter um trabalho não é simplesmente entrar e sair a determinada hora e fazer o que nos pedem. No meu caso, o fazer o que me pedem implica muitas coisas e se, para alguns, o que eu faço não é nada demais, só eu sei o quanto levo isto a sério. Assim sendo, há aspectos dos quais me fui apercebendo sobre pequenas coisas que fui aprendendo/adquirindo ao longo deste período.
Sou excessivamente pontual 
Odeio chegar atrasada e se o faço começo a hiperventilar. Prefiro estar meia hora mais cedo no trabalho do que cinco minutos atrasada. E eu que era a aluna que aproveitava os quinze minutos de tolerância de chegada à aula, agora nem cinco sou capaz? Pois é... a isto se chama o peso da responsabilidade. Posso até sair uns minutos mais tarde, mas entrar é que nem pensar. Só por muita necessidade. 
Não trabalho à portuguesa 
O que quero dizer com isto? Sabem quando chegamos a um local para tratar de algo e o mesmo está fechado porque os funcionários foram tomar o café da manhã às 10:00H ou o lanche das 16:30H? Pois bem, comigo não há dessas coisas. Faço as minhas pequenas refeições no local de trabalho e, no máximo, posso sair para ir buscar algo para comer. Se me chateia? Não. Já é um habito e por muito que até aceite que há pessoas que necessitam de fazer essas pausas, não me venham dizer que a maioria delas não o faz para dar os "dois dedos de conversa" com a colega no café. 
Trabalho melhor sozinha do que em equipa 
Gostava de escrever o contrário. Gostava de me orgulhar de que consigo trabalhar super bem em equipa mas a verdade é que, desde que comecei a trabalhar que passo a maioria dos meus dias sozinha e isso faz com que tenha aprendido a trabalhar ao meu ritmo e com o meu próprio método. Por isso, não sei atá que ponto é que o facto de ter que partilhar com outras pessoas as tarefas me seria estranho.
Haverá sempre uma grande diferença entre ti e o teu patrão aos olhos dos outros 
Nunca me senti discriminada pelo meu patrão, no sentido de me deixar num nível inferior ao dele. Sei bem que existe uma hierarquia que é respeitada, mas nunca houve qualquer tipo de "olhar diferente" por parte dele em eu ser só a sua funcionária. Por outro lado, já senti essa diferença em muitos locais, nomeadamente espaços públicos. Por vezes, posso ter que ir tratar de um assunto e dizem-me que tem que ser ele pessoalmente a tratar disso. Depois, ele mexe uns cordelinhos e afinal até posso ser eu a resolver. O que quero transmitir com isto é que as outras pessoas acabam sempre por dar mais importância/ter mais respeito pelo meu patrão do que por mim, quando por vezes acabo por ser eu própria a tratar dos assuntos.

Sou auto-didacta e pró-ativa 
Há coisas que simplesmente sabemos que terão que ser feitas. Se algo está a seguir determinado caminho já sabemos, à priori, qual será o passo seguinte. Assim sendo, já notei em mim que, muitas das vezes tenho a capacidade de continuar o trabalho sem necessitar que me digam que tenho que o fazer. Já me aconteceu imensas vezes ter o meu patrão a dizer "faz isto" e eu responder muito orgulhosa "já fiz". 
Desligo-me assim que saiu a porta do trabalho 
Nem todos temos a oportunidade de poder agir desta forma. Sei bem que há pessoas que são obrigadas a levar trabalho para casa, ou simplesmente não conseguem deixar de pensar naquilo que ficou por fazer. Eu não sou assim. Posso até lembrar-me de algo, esporadicamente, que não convém que me esqueça e aponto. Mas não passa disso. Haverá um dia seguinte e é aí que vou tratar daquilo que me veio a cabeça. Quanto ao trabalho para casa, acho que nunca levei e creio que essa é uma das grandes vantagens de ser funcionário e não patrão, além de que tudo depende igualmente, da forma como se trabalha. Se consegues fazer aquilo que estava previsto ser feito, não precisas de te preocupar com o que ficou por fazer. 
Sinto-me mal quando sei que errei 
Odeio, odeio errar. Odeio que alguém sinta a necessidade de me repreender por algo que fiz que não estava bem. Sou perfeccionista por natureza e errar é admitir que falhei, por isso, prefiro demorar mais tempo, mas fazer o melhor possível. Sou capaz de me esquecer muito mais facilmente das vezes em que me elogiaram do que aquelas em que me repreenderam, porque, acreditem ou não, sinto-me mesmo mal física e psicologicamente.

Receber o salário é óptimo, mas é ainda melhor poupá-lo 
Ok, calma! Não estou a dizer para não aproveitarem a vida e cometer algumas loucuras! Mas, quando recebemos o salário, é óptimo sabermos que parte daquele dinheiro estará destinado à poupança. Sei bem que, nem sempre isso é possível, nomeadamente quando temos uma casa e uma família para cuidar. Mas, quando não é esse o caso, é bom sabermos gerir o que ganhamos. Há um X que será para poupar e o restante será para as nossas coisas... é assim que ao fim de um ano de trabalho sabemos que temos aquele ali guardado. E isso é bom, acreditem! E não, para isso não é preciso deixar de ir a um jantar entre amigos ou ir de férias. É somente uma questão de organização e responsabilidade! 
É-me mais difícil trabalhar no Verão do que no Inverno 
Se gosto de acordar cedo enquanto chove e está frio? Não, não gosto. Se preferia ficar em casa, junto à lareira? Preferia... Mas, ainda gosto menos de trabalhar com 35º graus! É o desespero! Só me apetece sair do escritório e ir para a praia. E custa ainda mais saber que estão imensas pessoas lá fora, a aproveitar o bom tempo. Por isso, prefiro estar no escritório no Inverno, com a manta pelas pernas, o aquecedor ao lado, o casaco vestido e, no mais profundo de mim, saber que há muitas mais pessoas na mesma situação do que eu (eu sei que isto é mau de se pensar, mas temos sempre que pensar que não somos os únicos para o sofrimento ser menor ahaha) 
Por fim, não sou pássaro de ficar muito tempo no mesmo local 
Gosto do que faço, mas começa a ser muito rotineiro. Gosto de descobertas, de novidades e de experiências novas. Gosto de conhecer novas pessoas e descobrir o mundo. E é por isso que, após dois anos de trabalho, no mesmo local, começo a sentir que preciso de algo mais. De uma nova experiência e de um novo ambiente laboral. Sei que, isto pode ser visto como mau, tendo em consideração a conjuntura actual do país, mas tenho plena noção de que serei incapaz de passar décadas de anos a fazer sempre o mesmo. Talvez seja uma desvantagem ou uma vantagem na minha vida, mas tenho a certeza de que o destino mo dirá! 
E vocês, o que foram aprendendo enquanto trabalham? Identificam-se com algumas das minhas coisas?