8 de novembro de 2016

LIVROS | O décimo círculo

 2006 | Jodi Picoult | [Escala pessoal: 8/10]

Sinopse (aqui)
Daniel Stone era o único rapaz branco da vila esquimó do Alasca onde a mãe dava aulas. Por ser diferente, todos troçavam dele sem misericórdia e ele retribuiu tornando-se o pior dos adolescentes, roubando, bebendo e assaltando, até um dia deixar a vila. Quinze anos depois, Daniel é uma pessoa totalmente diferente: um pai calmo e atencioso, autor de banda desenhada, casado com uma professora que dá aulas sobre Dante e o seu Inferno. Trixie, a filha de ambos, é tudo para Daniel. 
Mas toda esta calma é perturbada no dia em que Trixie é violada numa festa e Daniel começa a debater-se novamente com uma impotência e uma raiva que podem destruí- lo a si e à sua família. 
O Décimo Círculo questiona até onde somos capazes de ir por alguém que amamos e quantas vezes somos capazes de nos reinventar até os nossos erros desaparecerem para sempre ou voltarem para nos assombrar quando menos esperamos. 
Mas este livro mostra que existe mais do que uma maneira de contar uma história. No livro encontramos também a banda desenhada de Daniel Stone que conta a história de uma rapariga que é raptada pelo diabo e levada para o inferno de Dante, e do pai que literalmente desce ao inferno para salvá-la.
Este livro viaja desde os corredores de um liceu moderno até uma vila isolada no Alasca, e do inferno até ao coração desfeito de um pai. 
Opinião
Mais um livro de Jodi Picoult é sinónimo de mais uma fantástica descoberta! Sou fã da autora. Já li imensos livros dela e só um é que me deixou de pé atrás. Mas, depois de algum tempo sem ler nada dela, arrisquei neste e que bela aposta que eu fui fazer.
Aqui, Jodi Picoult conseguiu ligar a vida de uma família ao Inferno que é a primeira parte da Divina Comédia de Dante Alighier, (mais inf. aqui) retratando os nove círculos do Inferno com aquilo que a própria família está a viver. No entanto, há a questão de tudo aquilo ser de facto real e tão insuportável que existe a necessidade de criar um décimo circulo, simbolizando a ideia de existir uma salvação. Confusos?
Basicamente, tudo se desenrola à volta de Trixie, uma jovem que é violada por aquele que ela considera o amor da sua vida. Vê a sua vida ser destruída por esse terrível acontecimento mas, no fundo, parte da mesma já se encontrava em pedaços há um longo período de tempo...  No meio de tudo isso, há a luta para que o violador seja reconhecido como tal perante o tribunal, até ao momento em que o mesmo aparece morto. E aí as questões surgem. Com o desenvolvimento da história questionamo-nos sobre se, de facto, ocorreu alguma violação e quem foi o assassino de Jason?
Foi Trixie? O pai que ama a sua filha mais do que tudo e que decidi deixar sair de si a fera que o leva à sua infância infeliz? Ou a mãe que, após a distância que colocou entre si e a sua família decide tomar uma atitude e tentar remendar os erros que cometeu matando a pessoa que magoou a sua filha?
Uma família que passa por cada um dos círculos do inferno e que, no final, cria um décimo para que um destino lhes seja dado. Agora resta saber qual foi...
Por fim, Jodi Picoult tem o poder de nos levar novamente para o livro, quando chegamos ao final da história, para decifrarmos a mensagem que a mesma diz existir num dos desenhos da banda desenhada que é retratada no livro. E isso é fantástico! Essa necessidade de querermos descobrir o que por lá se encontra. Este foi mesmo um livro cativante e já tinha mesma saudades de ler algo desta autora. Vocês já conheciam?