14 de julho de 2016

PESSOAL | Sentimentalista q.b.

Sou sentimentalista q.b. Talvez seja esta uma das características que mais admiro em mim. O saber guardar. O gostar de relembrar. O precisar de ter. Há coisas que guardo simplesmente por guardar. Há coisas que, hoje em dia, já não fazem o mínimo sentido, mas que continuam naquela caixa. De autógrafos de actores, a bilhetes de concertos, mensagens em bocados de papel, a minha chupeta de bebe, cartas recebidas, fotografias recortadas (...) acho que posso encontrar de tudo naquela caixa. E a verdade é que gosto dela assim. Tão repleta de memórias e, por outro lado, já tão vazia de sentimentos. Porque o tempo passa e tudo o que por lá está deixa, em algum momento, de fazer sentido. Mas, mais do que sentidos, razões e significados, são experiências, memórias e instantes que tiveram uma daquelas coisas envolvidas. 

Se, admiro esta minha vontade de tudo querer guardar e de, em tudo, encontrar uma história, há também o lado menos positivo: o ficar agarrada a coisas. Porque, inevitavelmente, quando aquela caixa se abre, há memórias que regressam, histórias que vem à cabeça e instantes que achei ter perdido entre o passar do tempo mas que, afinal, estiveram sempre ali: dentro da caixa. Por isso, o melhor é guardar. Guardar, sem a abrir. Somente guardar para saber que, quando bem entender, posso abri-la e percorrê-la. É a caixa das memórias e talvez uma das coisas mais pessoais que tenho no meu quarto.