23 de maio de 2016

PESSOAL | Ser perfecionista não é sinónimo de perfeição

Com o passar do tempo e com o facto de ter começado a trabalhar, apercebi-me de que uma das minhas maiores qualidades é, igualmente, um dos meus maiores defeitos. E agora vocês perguntam: Como é isso?! Fácil… muito fácil.
Há algo em mim que admiro muito. Algo da minha personalidade que me faz querer fazer sempre melhor. Algo que me leva a ser capaz de passar horas e horas até que aquilo esteja perfeito! Mas, e quando essa perfeição se torna imperfeita aos meus olhos? E quando as horas e horas passadas se reduzem a algo que termina por não ser feito por não estar perfeito? 
Ser perfecionista é dar-me levar-me a querer que seja sempre eu a fazer as coisas para que fique perfeito. É achar, muitas vezes, que os outros não serão capazes de fazer tão bem (admito!). É ser capaz de me isolar do mundo e passar tempos infinitos à volta de algo para que fique tal e qual como quero. Apercebo-me disso todos os dias! 
Na minha vida profissional sou capaz de deixar minutos de relax para o lado só para fazer algo que, nas minhas mãos, quero que saia perfeito. Sou capaz de editar textos mil e uma vezes só para que tudo fique perfeito. Sou capaz de refazer documentos de excel para que as cores combinem entre si. Sou capaz de fazer pesquisas e pesquisas à procura da melhor foto, do melhor texto, da melhor ideia. 
Por outro lado, o blog é, sem dúvida, o local onde mais essa minha faceta me mata! Passo horas a tentar códigos de HTML só porque ainda não está como idealizei. Perco um Domingo à tarde à procura de inspiração, à procura daquele pormenor que deixará tudo perfeito. É o título que não está exato, é as cores que podiam ser outras, é o título que podia ter outro formato… é no fundo, tanta coisa que não me faz ver as coisas de forma perfeita! Há vídeos que gostaria de fazer. Não os faço. Ou melhor, não os publico. Porque se não estão perfeitos – aos meus olhos – não valem sequer a pena de serem partilhados. Há ideias que não passam disso mesmo por não ter os meios exatos – desculpem-me, queria escrever perfeitos! – para as realizar. 
E, se por um lado é essa faceta de perfecionista que me faz querer mais e melhor, é igualmente esse lado que me tira horas e horas de vida. É esse lado que me prende à ideia de que, não estando perfeito, não vale a pena colocar. É isso que me trava objetivos, ideias e mais liberdade. No fundo, sinto por vezes, que sou refém desse perfecionismo! 
Nem sempre é fácil lidar com estes dois lados da mesma moeda. Nem sempre é fácil perceber quando devo deixar de lado o perfecionismo e viver com as imperfeições. Nem sempre é fácil dizer à minha personalidade que, em alguns momentos, estar bem e bom é simplesmente perfeito! Nem sempre é fácil compreender que, lá por não estar perfeito aos meus olhos, não significa que, na realidade, não esteja perfeito! E não sou capaz, ainda, de fazer nada disso. Por isso, há coisas que ficam guardadas nas gavetas, há sonhos que não cumpro, há projetos que demoram dias e meses a saírem por não estarem perfeitos. Sei muito bem disso e quem lida comigo também o sabe. 
Por isso, ser perfecionista não é ser perfeito. É simplesmente tentar buscar sempre essa perfeição e, quando isso não acontece, por muito bem que aquilo que se faça esteja, não chega! Não é suficiente! Mas, por outro lado, se aquilo que faço tem direito a um “está perfeito!”, os olhos brilham, o sorriso aparece, o orgulho enche o coração e digo para mim própria: afinal vale sempre a pena tentar levar o perfeccionismo em frente. 
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