30 de maio de 2016

LIVROS | Morrer é só não ser visto



2010 | Inês de Barros Baptista | [Escala pessoal: 6,5/10]

Sinopse (aqui)
Um livro corajoso e único sobre a morte e os mistérios da vida. Testemunhos surpreendentes e desassombrados que nos inspiram. Inês de Barros Baptista reúne neste livros testemunhos de pessoas que perderam entes queridos. Através de uma conversa com a autora revelam tudo o que sentem sem medos e tabus. São histórias de vida que nos tocam pela capacidade de transmitir sentimentos e emoções sem máscaras e que nos inspiram pela força inusitada destas experiências de vida. As fragilidades da vida humana são aqui expostas. Os testemunhos recolhidos são de pessoas anónimas e personalidades conhecidas que foram escolhidas pela luz especial que comunicam e que através de um discurso positivo emitem sinais de esperança, força e amor. Sempre o amor. Com prefácio e posfácio de uma psicóloga e de um padre, o livro pretende chegar ao transcendente e aos mistérios da vida. O historiador Geoffrrey Gorer defende abertamente que a morte substituiu o sexo como tabu. Estes testemunhos contrariam de uma forma desassombrada essa tese. O título do livro é retirado de um verso de Fernando Pessoa.
Opinião
Este livro foi a minha primeira experiência no que diz respeito a um género literário que é intitulado de espiritual. Nunca tinha lido nada assim, mas no geral a experiência foi boa! Falaram-me deste livro e emprestaram-mo para que eu própria pudesse tirar as minhas conclusões. É um livro de leitura simples e clara, que me levou ao meu interior. Levou-me a vestir a pele dos testemunhos que nele estão presentes, questionando-me variadas vezes “e se fosse comigo?” “será que isto já me aconteceu?”. A verdade é que, quem de nós, não perdeu já alguém que lhe era e é querido? Um pai, uma mãe, um irmão, um amigo, um namorado? Todos nós já acabamos por sofrer com a perca, a saudade e a necessidade de sentirmos que aquela pessoa continua, dia após dia, ao nosso lado. E se assim for? E se, afinal aquele arrepio que por vezes sentimos não for apenas um arrepio? E se aquele sonho é mais do que isso? E se acharmos que alguém, além das nossas escolhas, traça o nosso destino? 
Para muitos, este poderá ser um tema tabu ou algo em que não acreditam. Respeito isso! Mas, no que me toca, acredito que, no fundo, as pessoas que partem mas que são essenciais na nossa vida, nunca chegam a desaparecer por completo. Há uma mãe que irá sempre tentar fazer de tudo para proteger o seu filho, ou um amigo que terá conversas interiores com a pessoa que cá ficou. Este livro questiona-nos, essencialmente. Faz-nos refletir sobre pequenas coisas, pequenos sinais, pequenos momentos. Mas há algo que ele não nos dá: respostas. Essas, dependem de cada leitor e daquilo em que cada um de nós acredita! 
Para mim, este livro fez todo o sentido e admito que fiquei tentada em ler mais algumas coisas sobre esta área. Acredito nessas pequenas coisas e tenho a certeza de que já vivenciei algumas delas, sem na altura me ter apercebido disso… foi uma boa descoberta e se quiserem ler algo deste género, aconselho-vos este livro por ser tão simples e tão poderoso, ao mesmo tempo.