12 de outubro de 2015

PESSOAL | A última vez

Parece que foi hoje o dia em que tudo mudou. Passados dez meses da nossa separação, fizeste com ela aquilo que há tempos não quererias fazer comigo. Comportaste-te como uma pessoa que gosta se comporta. Estiveste com ela num momento que lhe era importante, tal como eu quis tantas vezes que estivesses nos meus. Por muito que não queira, é-me inevitável comparar as ações. É-me impossível ver com outros olhos aquilo que para muitos é apenas uma fotografia. Sei ver o significado das coisas. Por muito que doa, sou sincera! 

Foi das maiores chapadas de luva branca que levei nos últimos tempos. Foi o concretizar de um fim. Foi ter a certeza absoluta de que tudo mudou. Foi sentir na pele que pertences a outra pessoa e que eu sou passado. Abriste a cicatriz que achei já estar fechada. Mas, afinal não estava. Afinal ainda mexeu comigo saber que agora és-lhe tudo. Afinal ainda custou ver a fotografia de vocês abraçados. Afinal ainda não te sou imune. 

Sou o teu passado e o que mais me assusta agora é o meu próprio futuro. O futuro incerto que não sei onde me levará. Poderei também eu ter a oportunidade de me voltar a apaixonar? De voltar a amar alguém e de ter a certeza de que não estou sozinha? Tu conseguiste. Passados dez meses, tu voltaste a apaixonar-te. Perdemo-nos e já sabia disso à muito… mas, quando a realidade nos bate à porta, apercebemo-nos de que, afinal, nem sempre o coração fica com a raiva necessária para que aquela pessoa deixe de fazer sentido. 

Não chorei como teria chorado há meses atrás. O coração ficou magoado e as lágrimas teimaram em encher os olhos, mas a cabeça foi mais forte e disse que não! Já chorei o que tinha a chorar por ti e agora resta-me seguir em frente. Levantar a cabeça e recomeçar. Não sei como, mas dará certo. Pode não ser hoje, amanhã ou dentro de meses. Mas, um dia, irei olhar com outros olhos para a minha vida e saberei que esta chapada foi o recomeço.

Não te vou desejar que sejas feliz. Não vou ser cínica a esse ponto. Neste momento, não quero que sejas feliz. Não quero que tudo dê certo. Não quero que sintas o que é amar. Quero que ela te magoe, quero que ela se transforme no teu eu do que foi a nossa relação. Se estou a ser injusta e egoísta? Estou! Mas neste momento ninguém tem o direito de me pedir mais nada. Talvez daqui a algum tempo, quando tudo isto me for banal eu realize que afinal só quero que sejas feliz, da mesma forma como sei que queres que eu seja… mas por agora não. 

E esta foi a última vez que escrevi sobre ti e sobre o nós que já não existe. Foi a última vez que deixei palavras para quem me fez tão bem e tão mal ao mesmo tempo. Estou triste, magoada, desiludida e perdida. Estou com a revolta de quem perdeu o sentido e por isso este é o momento em que a minha bússola precisa de procurar o rumo. Um rumo que incluirá o presente e o futuro. E tu és o meu passado.